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Reporteres sem fronteiras

Correio do Povo

O Correio do Povo é um jornal diário com circulação no Rio Grande do Sul. O jornal é um tabloide, formato predominante na região Sul do Brasil. Como a maior parte dos veículos do subsistema de comunicação da região, enfatiza assuntos regionais e aborda assuntos nacionais e internacionais a partir do ponto de vista local. O slogan do portal na internet é: “portal de notícias dos gaúchos”. O site traz seções de notícias sobre economia, ensino, mundo, polícia, política e meio rural. Tem ainda as seções dedicadas aos times gaúchos Grêmio e Internacional, futebol e outros esportes. As seções de cultura são divididas por linguagens artísticas: cinema, exposição, literatura, moda, música, teatro e TV, além da seção “Gente”, com foco nos agentes relacionadas a cada um dos setores da cultura.

Os blogs hospedados no site, diferentemente dos portais nacionais, dão mais ênfase ao assunto abordado do que às pessoas que escrevem. Há blogs sobre animais de estimação, carros e motos, carreiras, Fórmula 1, cultura pop, fotografia, cinema, livros, entrevistas com artistas da arte contemporânea, um de temática semelhante à das ”revistas femininas”, outro voltado para a juventude, além dos blogs regionais sobre cidades do RS e tradições gaúchas. Os únicos assinados são os blogs do jornalista esportivo Hiltor Monbach, do escritor, cronista, teatrólogo e brigadista militar Oscar Bessi Filho e do jornalista, historiador e sociólogo Juremir Machado da Silva, coordenador do programa de pós-graduação em comunicação da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUC–RS). O portal tem ainda um serviço de webmail e um arquivo de memória com o conteúdo publicado pelo jornal desde junho de 1997.

As mudanças de comando no centenário jornal Correio do Povo ao longo de sua história mostram as relações estabelecidas entre mídia, política, mercado e religião no Brasil. O Correio do Povo foi fundado em 1895 pelo jornalista sergipano Francisco Antônio Caldas Júnior, que pretendia se manter distante das posições políticas dominantes no Rio Grande do Sul no final do século XIX. Esse ideal era expresso inclusive na cor do papel do jornal, rosa, para se diferenciar dos grupos políticos dos federalistas (os maragatos, que usavam lenço vermelho) e dos republicanos comandados pelo então governador Júlio de Castilhos (os pica-paus, que usavam lenços brancos). Se o jornal não tinha posição política declarada, por outro lado tinha articulações com os estancieiros gaúchos, a elite agrária do estado.

O jornal inaugurou uma fase de profissionalismo na imprensa gaúcha e teve importantes colaboradores, como o escritor Mario Quintana. No entanto, com a morte de seu fundador, em 1913, o periódico passou a manter relações ambíguas com os grupos políticos. Em 1928, apoiou Getúlio Vargas como governador do estado e em sua candidatura à presidência da República, o que provocou atritos entre o filho de Francisco Antônio, Francisco Caldas, que queria manter a linha independente lançada pelo pai, e a viúva do fundador do Correio do Povo, Dolores Caldas. Assim, o Correio do Povo apoiou a Revolução de 1930, que colocou Getúlio Vargas na Presidência da República. Anos depois, no entanto, se voltou para a oposição ao governo provisório, o que teve como resposta o boicote publicitário por parte do governo e a proibição da venda do jornal em lugares como estradas de ferro.

Em 1935, Breno Caldas, filho de Francisco Antônio e Dolores, assumiu a direção do jornal e procurou se manter distante dos partidos União Democrática Nacional (UDN) e Partido Social Democrático (PSD), embora tendesse mais para o candidato pessedista, Eurico Gaspar Dutra, eleito em 1945. Também apoiou a cassação do Partido Comunista Brasileiro (PCB), em 1947.

A família Caldas Júnior formou um grupo de comunicação ao incorporar os jornais Folha da Tarde (1936–1984) e Folha da Manhã (1969–1982), a Rádio Guaíba (1957) e a TV Guaíba (1979). Em 1961, a Rádio Guaíba foi tomada pelo governador do estado, Leonel Brizola, para disseminar a “Cadeia da Legalidade”, campanha para defender a posse do vice-presidente João Goulart, depois da renúncia do presidente Jânio Quadros. No entanto, o jornal Correio do Povo manteve linha contrária e, três anos depois, apoiou o Golpe Militar que derrubou João Goulart, deu origem à Ditadura Militar (1964–1985) e inaugurou uma fase de censura aos veículos de mídia que atingiu o próprio jornal.

Com o endividamento do grupo causado pelos altos investimentos na TV Guaíba e pela falta de apoio governamental, o periódico, concorrente do Zero Hora (Grupo RBS), deixou de circular entre 1984 e 1986. As dívidas do grupo fizeram com que Caldas Júnior vendesse seus veículos de comunicação para o empresário dos setores agropecuário e imobiliário Renato Bastos Ribeiro, controlador da produtora de soja Incobrasa Industries, Ltd. Ribeiro investiu no Correio do Povo e na TV Guaíba, mas acabou com as atividades dos jornais Folha da Manhã e Folha da Tarde.

Em 2007, houve nova mudança de propriedade. Os veículos de comunicação do grupo foram comprados pela Rede Record, controlada pelo bispo Edir Macedo, líder da Igreja Universal do Reino de Deus (IURD), por cerca de 100 milhões de reais, segundo informação publicada pela Folha de S. Paulo (15/09/2007). Macedo manteve a linha editorial do jornal, como fez com outros veículos comerciais comprados pelo Grupo Record.

A venda foi questionada pelo Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Rio Grande do Sul. A legislação brasileira determina que as empresas de radiodifusão só podem operar a partir de concessão pública, ou seja, a venda de emissoras de rádio e TV é proibida e, caso seu proprietário não tenha mais interesse ou condições de operar, o concessionário deve devolver a concessão para o Ministério das Comunicações, que precisa abrir novo processo de outorga. No entanto, essa prática é corriqueira no Brasil, como podemos ver não apenas no caso das empresas do grupo Caldas Júnior, mas nos perfis de diversos outros veículos e grupos listados nesta pesquisa.

Texto publicado em outubro de 2017.

Informações Básicas

Participação na Audiência

2.76% (IVC 2016)

Tipo de Propriedade

Privado

Cobertura Geográfica

Mídia multi-territorial

Tipo de Conteúdo

Conteúdo pago (tabloid)

Dados Publicamente Disponíveis

dados de propriedade são facilmente acessíveis em outras fontes, como Juntas Comerciais etc

2 ♥

Empresas de Mídia / Grupos

Grupo Record

Propriedade

Quadro Societário

Correio do Povo pertence ao Grupo Record. O grupo é de propriedade da família Macedo.

Grupo / Proprietário Individual

Empresas de Mídia / Grupos
Fatos

Informações Gerais

Ano de Fundação

1895

Fundador

Francisco Antônio Vieira Caldas Júnior – jornalista e empresário, tinha relações com a elite agrária do Rio Grande do Sul.

CEO

Reinaldo Gilli - desde 2014, é presidente do Grupo Record Sul; é sócio de 7 empresas do Grupo Record. / Sidney Costa - diretor-presidente do Correio do Povo desde 2017, exerceu funções executivas no Grupo Record em outros estados.

Editor Chefe

Telmo Flor - diretor de redação do Correio do Povo, trabalha no jornal há mais de 30 anos. / Eugenio Bortolon - editor-chefe e de economia do Correio do Povo desde 2015, onde trabalha há mais de 20 anos.

Contato

Sede Porto Alegre (RS): Endereço: Rua Caldas Junior, 219 – Centro / Porto Alegre - RS – 90019-900 / Fone: (51) 3215-6111 / E-mail: atendimento@correiodopovo.com.br / Site: www.correiodopovo.com.br .

Informações Financeiras

Receita (US$ M)

Sem Dados

Lucro Operacional (US$ M)

Sem Dados

Publicidade (% da receita total)

Sem Dados

Participação no Mercado

Sem Dados

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